É nas margens que o feto marca a sua presença na História. Essas marcas minúsculas. Ínfimas. Inconstanstes. É nas margens, seu esquecimento. É nas margens, suas memórias. É nas margens, sua filosofia. A filosofia dos fetos dá-se nos limites entre o fora e o dentro. E entre o vazio e o tudo. Embriagado ele espera sua ferida estancar. Embriagado, o feto traça sua História sinuosa. Sua história de séculos dobrados. De séculos ilúcidos. De séculos e horas e horas naquela pose de pedra. Pose de estatuárias mofadas. O caminho histórico marcado a ferro e fogo do feto é fato aberto. É aborto. É um porto que liga de vez em vez seu pensamento antigo e sua nova onda. O feto que pensa sua presença mórfica. Sua presença pálida. O feto. A filosofia de sua História. O tempo resiste em não deixá-lo esquecer. A memória não deixa o mundo esquecê-lo. Vez e outra ele surge. Arde. Encarna nas situações e se consagra nas horas desconsagradas. O equilíbrio do feto é dado pela sustentação de sua História. Mas essa história. Esse tempo. Essa memória equilíbra-se? Sustenta-se? Só o tempo. Essa criança alegre. Esse sábio malandro. Esse palhaço de lágrimas. Só o tempo consagra. Só o tempo esquece. Só o tempo historifica. Só o tempo dá seu sentido.