Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Os fetos de fatos.

Embrionismo. Arriscar-se a estar completamente só e junto. Simultaneamente. Separar quando necessário. Juntar-se quando sentir-se empenhado em compreender juntos um mundo só. Só. Solidão. Sozinho nesse mundo de gentes e gentes em cores e formas. Pensar nesses fetos e nesses fatos. Saber. Sentir. Tudo isso construido numa explosão exponencial. Para uma filosofia dos fetos, uma história embrionária. Uma história de contações de fetos. Fatos. Desafetos e Desabafos. Pensar nesse mundo em vão. Nos vãos. Para uma filosofia dos fetos, a história dos vãos.

Sábado, Outubro 10, 2009

Ilusões. Pó.

O mundo passa. E carrega nossos sonhos. Nossas vontades. Derruba nossos planos. Abre nosso chão. O mundo carrega e vai levantando pó. Levantando com furor todos os mesquinhos devaneios. O mundo passa calando nossos gritos desesperados de quem levanta todo dia pensando em seu próprio silêncio dentro de quatro paredes. Ilusão. Mas também carregamos o mundo e levamos para lugares nunca antes imaginados. Podemos construir sobre essa pedra a nossa própria igreja fundada e fundamentada nos gritos cotidianos. Não mais palavras nobres. De puro desejo de perfeição. Fetos não sonham com perfeição, mas sonham em alargar o corpo. Expandir sua ocupação. Sonhar cada vez mais alto. E assim ilude a si mesmo e a todo o mundo criado em sua mente. Mentira. Mundo de mentira é como um castelo de areia. Derruba. Desmancha. Mas um dia se ergue novamente. Para novamente com o vento. Ventania. Se reerguer. Qual Fênix. Qual sonhos. Qual um pensamento esquecido. Acontecimentos de pó.

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

O feto nu.

Naquela rua, de repente, pessoas correm apressadas. Inteiramente nuas. Tudo à mostra. Sem vergonha. Sem pressa. Todos eles correm e tropeçam e levantam e penetram pelo meu corpo. Atravessam diretos. Um trovão. Um barulho desgraçado. Acordo e aquilo me afeta. Tiro a roupa e corro pelas ruas babando. Caí no chão que me abraça. Acordo novamente. E minha mente se desentende. Se desespera. Despedaça-se em novos pensamentos de novos casos e novas noites. E novos tropeços. E novos barulhos. E outras penetrações. No pensamento um grito de socorro. Suores pelo corpo. Nojenta visão. Outras noites dessas. Outras convulsões. Apelo. Espero outras noites. Mas se acabasse... O que seriam das minhas noites?

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Gotas de tempo.

O feto espera seu tempo. Cai uma gota. E mais uma. Cai montes durante muito tempo. E sua pose de espera. De paciência exemplar, o feto olha. Pára. Observa essa manifestação das horas. Um fenômeno que se consagra. Uma vivência de diversas gotas. O feto olha. E seu olhar esperto se aproxima do tempo esperado. Seu olhar capta a gota. Espreita. Sussurra. Grita. Mas não se ouve. É feto. Não está morto. Não está vivo. Está em seu estado de sempre. O de feto. Que todos querem. Gota a gota observando o tempo.

Sábado, Agosto 29, 2009

Enfetados.

O corpo. Um feto. Uma passagem que se abre no corpo do feto. Um túnel que liga um lado no outro. Feto. Corpo. Saltam-se as partes. Um corpo que parte e solta suas feracidades. O corpo desaba e acaba com a festa. Com a meta. O corpo sopra e volta em um instante. Cada vez que o corpo desabafa é uma vontade louca de morte. De voltas e voltas de queda. É certo o corpo que sai da rota e vai parar no solo. É certo o feto que com o corpo pede socorro e verdade. Nesse mundo sente-se a falta do corpo. Mas não do corpo do feto, mas o corpo do não-objeto. Aquele que se olha e não se enxerga. Que se pensa e se esquece. Que se fere e não se sente no extremo sonho. O corpo é o não-objeto do feto.

Domingo, Maio 03, 2009

A verdade dos fetos.

É de vidro. É de pedra. É de água aquela verdade expressa da boca do feto. Estilhaçada a verdade se perde. Se dissolve. À flor da pele contempla o feto a sua pele. O seu corpo que se dissolve com a verdade. O corpo em que se inscreve a palavra. A história. O corpo em que se inscreve o grito derradeiro desabafa aquele momento de segundo em segundo em que ele pensa se quer sair de seu estado de feto. Que estado de feto é de porvir da vida. Pensa aquele feto em tudo o que terá que fazer. Pensa aquele feto se está disposto a entrar nessa prisão do mundo. Estaria preso em um corpo. Em uma roupa. Em um pensamento. Em um desejo. Em uma palavra. Estaria preso. É isso que quer o feto? Será isso? Quer o feto sair de sua liberdade e buscar esse cimento que o prenderia? Passo a passo olhando o relógio. Passo a passo pensando na hora. No dinheiro. Não. Queria o feto a cada acordar estar vivendo pela primeira vez. Todos os começos. Todos os inícios. Todas as origens. Queria viver sempre da primeira vez. Olhar sempre pela primeira vez. Queria gravar na memória o primeiro raio de luz que entrasse no seu olhar e depois sentir isso em cada acordar. Eis a verdade do feto. Estar sempre nos seus começos.

Sábado, Abril 04, 2009

O sentido do feto.

É nas margens que o feto marca a sua presença na História. Essas marcas minúsculas. Ínfimas. Inconstanstes. É nas margens, seu esquecimento. É nas margens, suas memórias. É nas margens, sua filosofia. A filosofia dos fetos dá-se nos limites entre o fora e o dentro. E entre o vazio e o tudo. Embriagado ele espera sua ferida estancar. Embriagado, o feto traça sua História sinuosa. Sua história de séculos dobrados. De séculos ilúcidos. De séculos e horas e horas naquela pose de pedra. Pose de estatuárias mofadas. O caminho histórico marcado a ferro e fogo do feto é fato aberto. É aborto. É um porto que liga de vez em vez seu pensamento antigo e sua nova onda. O feto que pensa sua presença mórfica. Sua presença pálida. O feto. A filosofia de sua História. O tempo resiste em não deixá-lo esquecer. A memória não deixa o mundo esquecê-lo. Vez e outra ele surge. Arde. Encarna nas situações e se consagra nas horas desconsagradas. O equilíbrio do feto é dado pela sustentação de sua História. Mas essa história. Esse tempo. Essa memória equilíbra-se? Sustenta-se? Só o tempo. Essa criança alegre. Esse sábio malandro. Esse palhaço de lágrimas. Só o tempo consagra. Só o tempo esquece. Só o tempo historifica. Só o tempo dá seu sentido.